Sobre “Os agentes do destino”

Essa não é uma resenha e nem preserva os pontos chaves ou o final do filme. Mas também não é nada definitivo, é apenas o meu ponto de vista sobre o filme.

Fiquei com vontade de rever esse filme e falar sobre ele depois de ler um texto dizendo que o ponto alto do filme era a fala final do filme, transcrita ao final desse texto. E não foi somente por pensar diferente sobre qual parte do filme foi a mais importante, mas porque achei muito cômodo encontrar o tesouro numa explicação teórica, como gostam os intelectuais. Vamos ver o filme e encontrar na trama o ponto culminante, aquele ponto que não tem mais volta, que é como acontece no cotidiano, ler a mensagem na imagem, o mais direto possível.


Prólogo

Olhando para nossa situação de vida diária, parece mesmo existir uma espécie de plano superior, de “destino”, que é a matéria-prima desse filme. A vida parece seguir sozinha. Parece que somos levados por acontecimentos, escolhas, relacionamentos, compromissos etc. Mas na real, não conseguimos codificar a vida como um todo. Nossa liberdade fica limitada pelo nosso conhecimento. Será que existe liberdade além de nossos conhecimentos? E quando é que somos livres?

Sobre o filme

O roteiro foi adaptado do conto “Adjustment Team” de Philip K. Dick, mesmo autor de “Blade Runner” outro filmão. É um conto, portanto, não é a observação direta da realidade, mas acho que mesmo assim oferece elementos para examinarmos o tema da liberdade. Que só vamos encontrar de fato, em nossa vida cotidiana.

O momento da virada no filme, que ilustra o que pensei, é quando o David (Matt Damon) percebe que os agentes não sabem o porque das coisas estarem assim definidas no “plano”, que eles cuidam para não sair do rumo traçado. Nesse momento, ele desafia tudo e arrisca talvez o último lance de sua vida. Porque nesse momento ele percebe, por si mesmo, diante de um fato, que nada está escrito definitivamente. Tudo pode mudar. Nada é permanente. Ninguém tem certeza de nada. Ninguém é o dono da verdade.

O que captei, do jeito que captei

A vida parece se construir e se auto-organizar o tempo todo. A questão é: para onde estamos olhando? Para as teorias e explicações, ou para os fatos reais? E nós, imitamos ensinadores, seguimos gurus e cientistas, por mais convincentes que sejam? Ou ouvimos o nosso coração?

Geralmente, nas situações extremas como numa doença grave ou mesmo terminal, ou um acidente, um trauma ou uma escolha difícil e importante, em que precisamos lutar pela vida acima de tudo, é que aparece quem originalmente somos. Nesse momento somos livres. Isso também pode ser percebido quando estamos nos relacionando com coisas das quais não temos conhecimentos, como quando estamos no meio de uma floresta, pois a vemos apenas como ela é, sem definições. Nesses momentos também somos livres. Acho que por isso gostamos tanto desses momentos de contato com a natureza.

A fala do final do filme

“Most people live life on the path we set for them. Too afraid to explore any other. But once in a while people like you come along and knock down all the obstacles we put in your way. People who realize free will is a gift, you’ll never know how to use until you fight for it. I think that’s The Chairman’s real plan. And maybe, one day, we won’t write the plan. You will.”

“A maioria das pessoas vivem a vida no caminho que estabelecemos para elas. Com muito medo de explorar qualquer outro. Mas de vez em quando pessoas como você chegam e derrubam todos os obstáculos que colocamos no seu caminho. As pessoas que acham que o livre arbítrio é um dom, nunca vão saber como usá-lo até lutar por ele. Acho que esse é o verdadeiro plano do ‘cabeça’. E talvez, um dia, não vamos escrever o plano. Você vai.”

4 respostas para “Sobre “Os agentes do destino””

  1. Quem é o mais sábio, é oráculo?
    -Tu é o mais sábio, já lho disse.
    Só sei que nada sei!
    -Disse bem, Sócrates. Dentre todos quem vêm aqui, é o primeiro que tem noção de que não sabe nada. Antes de nascer tua memória foi reiniciada, e teu roteiro programado. Enganado você foi, repetidamente… Lembra-te de quem tu é, e entenderá o que faz aqui, o que é aqui.
    E para onde está indo.

    http://osaltociencia.blogspot.com.br/2008/12/iniciao-o-salto-desperte-seu-deus.html

  2. Somos parte natureza, a outra também! Ora somos heróis, ora figurantes. O destino se ajusta entre um e outro.

    A teoria é ilusão?
    E a realidade é real?

    Agradecido,

    José

O que pensou? Comente