O encantador de cães

Estas são observações feitas a partir dos vídeos do Cesar Millan, o encantador de cães, sobre relacionamento e comportamento de cães e pessoas.

Há uns meses atrás comprei um livro do Cesar Millan para meu filho Gabriel que gosta muito de animais e principalmente de cães, mas pouco de leitura. Passamos a conversar sobre os casos relatados pelo Cesar e sobre a sua própria história de vida. De um motivo pra gostar de ler, surgiram outros motivos e acabamos assistindo aos vídeos dele no Youtube.

Cezar parece ter percebido algo que poucas pessoas se deram conta sobre cães e, acho também, sobre pessoas. Mas o que será que tem de tão especial na abordagem dele?

O bom de examinar esses vídeos é que são de casos reais e podemos examiná-los quantas vezes quisermos.

Vídeos de casos que selecionei (dublados)
Que tal usar um tempo para examinar os vídeos abaixo? E anotar os pontos que lhe chamaram a atenção antes de seguir a leitura? Apenas para ter suas próprias impressões antes de se unir às minhas.

Opie (parte 1)


Opie (parte 2) e Flirt (parte 1)

Flirt (parte 2)

A pergunta
Qual é a essência da abordagem dele? O que lhe chamou a atenção? Que dúvidas teve?

Impressões a respeito do que vi:

  1. Os cães parecem pensar e, como nós, avaliam mal as situações de vida se baseando apenas em sensações. Por exemplo:
    – Se alguém se aproxima de uma pessoa (o dono) de uma maneira “lembrada”, ou seja, se encaixa em outra situação vivida pelo cão, como uma situação de perigo, ele reage de maneira agressiva.
    – Se um comportamento lembrado, como indeciso, inseguro ou submisso, ele tenta ser o líder e cuidar dessa pessoa, como seu protegido. Mas isso normalmente resulta em riscos para quem se aproxima dessa pessoa protegida.
  2. Como a comunicação entre cães e humanos é realizada por meio de linguagens diferentes, mas… pensada como universal pelas pessoas, o resultado não poderia ser pior. Muita confusão mental, tanto para as pessoas como para os cães. Os enganos se sucedem até que a convivência torna-se indesejável, geralmente por parte das pessoas.
    Reconhecer as diferenças na linguagem e tratar um cão, não como uma pessoa, mas como um cão, cria as condições necessárias para uma convivência sadia, principalmente para os cães.
  3. Mas entre pessoas também acontecem os mesmos enganos, mesmo que aparentemente usem a mesma linguagem. A questão é que pensamos que o outro entende os fatos como entendemos. E isso não é verdade, em função de nossas limitações naturais (como ouvimos, como enxergamos, etc.) e vícios de linguagem. Não nos damos conta no dia a dia, mas somos limitados pela nossa mente e a nossa maneira particular de pensar e de ver as coisas. Tomamos como certas ou únicas, as nossas interpretações da realidade. Você percebe isso em sua vida?

Sobre a mudança de comportamento, o que me chamou mais a atenção:

  1. Cezar conhece, um tanto, os padrões de comportamento dos cães. E ele se comunica corporalmente, de acordo com esse conjunto de padrões percebidos. Exemplos:
    – Quando um cão está focado em algo que é a razão do problema…. seja um brinquedo que não deixa ninguém tocar, ou na proteção de sua comida como se estivesse prestes a ser roubada… o seu olhar fica fixo… e suas orelhas indicam seu estado… o Cesar fica atento a todos esses indicadores, por isso leva o cão para passear, auxiliando o cão a sair desses pensamentos. Uma técnica importante quando bem usada: ele fica ao lado do cão e, quado necessário, dá um toque com o pé no traseiro do cão, mas passando a perna contrária por trás da outra para não ser percebido, apenas para lhe tirar a atenção do foco indesejável, assim Cesar tem a chance de mostrar outras coisas ao cão, como o que ele espera dele nesse momento… que ande, que fique junto, etc. Por um momento, ele foca em outra coisa… a tensão se desfaz… e ele experimenta outro estado mental.
    – Quando ele repete esse ato, sempre que ele voltar ao estado anterior, o cão vai mudando aos poucos (dessensibilizando). E isso acontece por uma razão muito simples, mas geralmente imperceptível… o cão muda de pensamento, sai do pensamento obstinado e circular. Ele se depara com os fatos reais: o toque no traseiro, o olhar da pessoa e tudo o que está ao seu redor. A mente vai ficando menos controladora, o pensamento parece menos “real” e mais “abstrato”. Para o cão, talvez o pensamento negativo seja apenas substituído por outro pensamento, porém mais positivo, mais adequado ao convívio com as pessoas.
  2. E quanto aos nossos padrões de comportamento… o que determina os nossos enganos na vida? Pessoas com traumas, ideias persistentes, baseadas em sofrimentos impostos ou auto-impostos se tornam problemas nos momentos em que eles reaparecem, podendo levar essa pessoa a diferentes distúrbios. Nesses momentos o treino para não se fixar num pensamento pode ser necessário, como um auto chute na bunda. Mas isso pode ser feito de muitas maneiras. Pode ser focando no que está ao redor, principalmente coisas naturais como um animal ou planta.
    Mas mesmo quando não estamos normais, sem depressão ou ansiedade, será que nos damos conta de nossas limitações em ver os fatos como eles realmente são?
    Não percebemos facilmente… mas muitos problemas parecem ter uma causa comum. Penso que a percepção disso possa ser para uma pessoa, um divisor de águas tão importante quanto foi, para a humanidade, descobrir que a terra é redonda e não plana como pensávamos. Precisamos realmente nos conhecer melhor. Quando emitimos uma opinião sobre algo ou alguém, em que estamos nos baseando? No fato propriamente, ou na nossa percepção do fato?

O que outras pessoas perceberam nos vídeos do Cesar Millan?
Abaixo tem o link para um vídeo, legendado em espanhol, com o Cesar sendo entrevistado pelo Eckhart Tolle.

2 respostas para “O encantador de cães”

  1. uma das coisas que ajuda é olhar para os pensamentos como se fossem hipóteses a serem testadas, esse exercicio leva a um desapego da “realidade do pensamento”, de tratar o pensamento como realidade

    1. Olá Mariane, só agora li seu comentário com mais calma. Mas tenho uma pergunta: o que aconteceria se a gente se desse conta, de verdade, do nosso processo de “factualizacao”?

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