A idéia de comprar um sítio surgiu do gosto pela paisagem da serra, partilhado por mim, meus irmãos João Marino e Luiz Carlos e nosso pai, o “seu” Marino. E também para dar um lugar de descanço e de contato com a natureza para toda a família.
Durante o primeiro ano apenas pagamos o sítio e o visitamos algumas vezes para nos habituarmos ao local. Foi um ótimo período para criar intimidade com a paisagem e gerar sonhos.
Em seguida veio a consciência dos problemas: caça e pesca predatória, solo danificado pela criação de gado e clima difícil com fortes geadas. Fora essa pequena visão, carecíamos de competência para “ler” a paisagem mais profundamente e ver também as soluções e as riquezas naturais.
Durante o segundo ano construímos a primeira parte da casa comunitária.
Em 2001 ouvimos falar da Permacultura… o que me lembra aquela frase “quem não sabe o que procura, não percebe quando encontra”. Acreditamos de imediato na proposta e eu e meu João pegamos férias para participarmos do curso de Permacultura (PDC), durante 9 dias (72 horas) pelo IPAB em Florianópolis.
Voltamos do curso com mais sonhos e os conhecimentos necessários para torná-los realidade, ou pelo menos, por onde começar.
No final de 2001 ampliamos a casa e fizemos algumas correções no projeto inicial: separação das águas usadas na casa, construção de uma varanda, etc.
Em 2002 continuamos a colocar em prática um dos principais ensinamentos, que recebemos no curso: “o principal trabalho de um permacultor é sistematizar a água e alimentar o solo”. Construímos dois açudes e desde então não paramos mais de planta árvores nativas e frutíferas e cobrir o solo com biomassa (vegetação e palha).
Em 2003 chegou o momento da grande decisão, iniciar a mudança de vida, do cotidiano… viver no sítio o máximo possível. Vendi minha parte na empresa em que era sócio e passei a morar no sítio durante a semana. Aproveitava as boas horas do dia para a lida no mato e nas horas de sol quente ou com muita chuva, trabalhava no notebook com design gráfico. Nos finais de semana ficava com a família, que ainda mora na cidade.
A família aos poucos foi sentindo minha falta, reclamando minha presença, e aos poucos inverti novamente minhas atividades, passei a ficar mais em casa e menos no sítio. Alguma coisa não deu certo. Não consegui levar a minha família para o sítio. Comecei a perguntar, porque? O que aconteceu? O que fiz de errado?
No final de 2004 conheci o Tokkou e mei dei conta de algumas coisas da vida. Antes desse tempo me preocupava apenas com design do sitio, com estruturas, com animais, vegetais, etc., mas a questão social eu deixei de lado, fui me afastando das pessoas. Desde então minha vida teve um sabor diferente, curtindo as coisas simples da vida, com a família, com os amigos, onde cada um está, no seu tempo. E temos feito reuniões quinzenais (kensan) para pensar sobre nosso rumo de vida, felicidade, etc. Vendo como as coisas são na realidade.
Agora (2006) é meu irmão João Marino que está vivendo no síto, mas continua trabalhando na cidade. Tenho passado o máximo de tempo que posso com ele no sítio, trabalhando, planejando. para realizar nossos projetos.
O SeteLombas está se transformando num lugar mais habitável para plantas, animais e nós, seres humanos. Pode-se perceber que o sítio está indo na direção de mais biodiversidade e da dinâmica estável. O sítio foi a gênese da nossa comunidade que está se ampliando pouco a pouco.

Comentários Recentes