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	<title>setelombas &#187; design</title>
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	<description>Estação de Permacultura</description>
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		<title>Abordagem de design berço a berço por William McDonough</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Oct 2010 15:04:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Setelombas</dc:creator>
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		<category><![CDATA[berço-a-berço]]></category>
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		<description><![CDATA[Duas oportunidades recentes de conferir as idéias de William McDonough, co-criador da abordagem de design ecológico conhecida como &#8220;Berço A Berço&#8221; (Cradle To Cradle) - Vídeo da conferência no TED com legendas em português. Clique em &#8220;view subtitles&#8221; e selecione &#8230; <a href="http://www.setelombas.com.br/2010/10/abordagem-de-design-berco-a-berco-por-william-mcdonough/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Duas oportunidades recentes de conferir as idéias de William McDonough, co-criador da abordagem de design ecológico conhecida como &#8220;Berço A Berço&#8221; (Cradle To Cradle)<br />
<img src="http://michellekaufmann.com/wp-content/uploads/2010/10/wmcd.jpg" alt="foto" /></p>
<p>- <a href="http://www.ted.com/index.php/talks/william_mcdonough_on_cradle_to_cradle_design.html" target="_blank">Vídeo da conferência no TED com legendas em português.</a><br />
Clique em &#8220;view subtitles&#8221; e selecione o idioma &#8220;Português (Brasil)&#8221;.</p>
<p>- <a href="http://michellekaufmann.com/2010/10/william-mcdonough-goes-deep/" target="_blank">Entrevista no site da Michelle Kaufmann (em inglês).</a><br />
MK é outra designer ecológica muito conhecida e respeitada.</p>
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		<title>Sustentabilidade é o mínimo</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Apr 2009 17:41:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Itamar Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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		<category><![CDATA[bioconstrução]]></category>
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		<description><![CDATA[O termo &#8220;sustentabilidade&#8221; aos poucos vai perdendo a identidade com a sua origem ou com as idéias que o forjaram. Nasceu das discussões sobre quais as condições mínimas para que um empreendimento ou atividade humana garantissem seus benefícios para o &#8230; <a href="http://www.setelombas.com.br/2009/04/sustentabilidade-e-o-minimo/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O termo &#8220;sustentabilidade&#8221; aos poucos vai perdendo a identidade com a sua origem ou com as idéias que o forjaram.  Nasceu das discussões sobre quais as condições mínimas para que um empreendimento ou atividade humana garantissem seus benefícios para o ser humano e o ambiente tanto agora como em um futuro indefinido. As qualidades quase esquecidas são: <em>ecologicamente correto</em>, <em>socialmente justo</em> e <em>economicamente viável</em>. E eu acrescentaria <em>culturalmente aceito</em>, divertido e belo. </p>
<p>Das iniciativas para que as atividades humanas sigam nesse rumo, acho que o lado econômico da equação é o que encontra mais dificuldade para ser resolvido. E sem ele o resto não consegue êxito. Simplesmente porque não chama a atenção de ninguém, ou quase ninguém.<br />
<span id="more-400"></span><br />
Esse tem sido meu tema de pesquisa nos últimos tempos. E quando pesquiso um tema ou observo algo, estou sempre em busca de um padrão, de uma visão sistêmica que se desdobre naturalmente, uma ordem natural. E  nessa direção encontrei as idéias de dois homens, William McDonough e Michael Braungart. Eles estão fazendo trabalhos excelentes em arquitetura e design. E estão conseguindo tornar a sustentabilidade uma idéia atraente para empresários e para governos.</p>
<p>O conceito principal deles é &#8220;lixo igual a alimento&#8221;. Isso é música para meus ouvidos. Calma, eu explico&#8230; Lendo artigos sobre as idéias da dupla não havia encontrado ainda tal afirmação e nem dado muita importância, pensando tratar-se de oportunidades de negócios apenas. Mas quando assisti a um documentário (<a href="http://www.youtube.com/tvescola">canal TV Escola</a>) sobre o seu encontro e seus trabalhos práticos, pude entender melhor. Suas idéias estão na mesma frequência da permacultura. Traduzindo&#8230; o que sobra de um processo é alimento para o seguinte, até que volte ao solo, sendo alimento para outros processos naturais. Tudo que fizermos, desconsiderando isso, irá resultar em problemas futuros de poluição, além de enormes gastos de energia desnecessários. Uma compreensão correta desses fatos cria as condições para vislumbrar novas maneiras de viver.<br />
Por isso, &#8230; a sustentabilidade é o mínimo que podemos fazer.</p>
<p>Algumas referências sobre os trabalhos de McDonough &#038; Braungart:<br />
- <a href="http://www.revistameioambiente.com.br/2008/03/05/a-alternativa-berco-a-berco/">Abordagem: berço-a-berço</a> (português);<br />
- <a href="http://www.mbdc.com/">Comunidade: berço-a-berço</a> (inglês);<br />
- <a href="http://www.mcdonough.com/full.htm">William McDonough</a> (inglês);<br />
- <a href="http://www.braungart.com/">Michael Braungart</a> (inglês).<br />
- Vídeo &#8220;Alternativa berço a berço&#8221; no canal tvescola (português). Se for por uma boa causa posso enviar via ftp.</p>
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		<title>Sistematização da água</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Mar 2006 20:54:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Itamar Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[água]]></category>
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		<category><![CDATA[design]]></category>
		<category><![CDATA[mapa mental]]></category>
		<category><![CDATA[sistematização]]></category>

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		<description><![CDATA[O que caracteriza de forma marcante a ação de um permacultor? Ao fazer o design de um assentamento humano, seja ele uma vila, um sítio ou uma casa na cidade, quais seriam as prioridades? Começar por onde? Para responder a &#8230; <a href="http://www.setelombas.com.br/2006/03/sistematizacao-da-agua/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que caracteriza de forma marcante a ação de um permacultor? Ao fazer o design de um assentamento humano, seja ele uma vila, um sítio ou uma casa na cidade, quais seriam as prioridades? Começar por onde?<br />
Para responder a esta questão vou usar como inspiração uma frase do amigo <a href="http://www.permear.org.br/rede/permacultores/jorge/">Jorge Timmermann</a>:</p>
<blockquote><p>O principal trabalho de um permacultor é sistematizar a água e alimentar o solo.</p></blockquote>
<p>Porque será que ele fala assim? Bom, isso dá muito o que pensar. Não é mesmo? Então, para explorar bem o tema vamos separá-lo em duas partes. Neste artigo, falarei sobre a sistematização da água e em outro artigo falarei sobre a ação de alimentar o solo. Mas, já neste artigo, procuraremos identificar as conexões entre água e solo.</p>
<p><strong>A linguagem</strong><br />
Procurando usar uma linguagem mais retratadora do que descritiva, vamos utilizar um mapa mental que procura abranger as principais oportunidades de sistematização da água em todas as zonas de um assentamento humano.<br />
<a href="http://www.setelombas.com.br/imagens/sistematizacao.gif" title="Clique para ampliar"><img src="/imagens/sistematizacaop.gif" alt="Mapa mental" /></a><br />
<span id="more-10"></span><br />
<strong>Abordagem sistêmica</strong><br />
Para compreender a sistematização da água é necessário mais que esforço intelectual. É, antes de tudo, um exercício de profunda conexão com a natureza. É, principalmente, perceber o ambiente em que vivemos como um lugar por onde a água passa, sendo aproveitada da melhor forma possível para, em seguida, tomar seu curso natural, igual ou melhor do que chegou.</p>
<p><strong>Por que sistematizar a água?</strong><br />
Porque há menos de 3% de água doce no planeta e apenas 24% disso está “disponível” para o consumo e esta parcela passa por constantes perigos e ameaças. Porém, antes de tudo, sistematizamos a água porque temos uma ética &#8211; cuidar do planeta, cuidar das pessoas e partilhar os excedentes.<br />
Além do mais, o nosso design só será válido se estiver de acordo com o seguinte princípio: “funções importantes devem ser supridas por pelo menos três elementos”. Precisamos de pelo menos três fontes de água num assentamento humano para ser realmente sustentável. Afinal, podemos sobreviver algumas semanas sem comida, mas quanto tempo sobreviveríamos sem água?</p>
<p><strong>Por onde começar?</strong><br />
Na metodologia de design da permacultura um dos métodos para analizar e compor a paisagem é chamado de &#8220;Planejamento por Zonas&#8221;. Neste método a área a ser planejada é dividida em ZONAS, segundo o grau de consumo de energia humana. A zona que mais consome energia, trabalho, é a zona I, depois a zona II, e assim por diante, até a zona V.<br />
Imagine uma pedra caindo num lago. Que imagem lhe vem à mente? Uma série de anéis concêntricos que vão diminuindo de intensidade, certo? A Zona I, num assentamento humano, é exatamente o ponto de maior concentração e consumo de energia, trabalho humano. É nesta área onde se localiza a casa e o seu entorno. Alguns permacultores se referem a casa como sendo a Zona Zero, o centro da zona I. Outros, com os quais me identifico mais, se referem a Zona 0, como sendo o próprio ser humano que habita a Zona I. De nada adianta corrigir a paisagem, se o homem que habita nela, ainda pensar de maneira contrária ao rumo da natureza. Então precisamos começar pelas pessoas, pela ética, depois pela Zona I. Se não corrigirmos o lugar onde as pessoas moram, seus erros (efluentes, consumos exagerados, &#8230;)  atingirão as outras zonas, sem dúvida.</p>
<p><strong>Zona I</strong><br />
Aproveitar as águas da chuva, captadas por calhas no telhado ou em paredes altas (prédios), filtrando e armazenando em tanques ou outros meios à disposição, que sejam tão ou mais econômicos e eficientes quanto uma cisterna de ferrocimento.</p>
<p>Separando as águas usadas na casa em águas cinzas e pretas. As cinzas, usadas nas pias, chuveiros e máquinas de lavar, devem ser conduzidas por tubos até os <a href="http://www.setelombas.com.br/2006/10/circulo-de-bananeiras/">círculos de bananeiras</a> ou até outros sistemas de bio-remediação. E as águas pretas, que saem dos sanitários, podem ir para uma <a href="http://www.setelombas.com.br/2010/10/bacia-de-evapotranspiracao-bet/">bacia de evapotranspiração</a>. Melhor ainda é ter na Zona I um sanitário seco, onde utilizamos água somente para lavar as mãos. Usar a água para empurrar cocô é, no mínimo, uma visão distorcida de conforto. Os sanitários secos, também chamados de <a href="http://www.setelombas.com.br/2006/04/sanitario-compostavel/">sanitários compostáveis</a>, além de não poluírem as águas, ainda aproveitam ricos materiais, como urina, fezes e papel higiênico, gerando composto orgânico para alimentar as minhocas, que geram o húmus, que alimenta sementes e plantas. Podem ser do tipo compactos que cabem no WC tradicional ou também as “casinhas” com duas câmaras que ficam na área externa.</p>
<p>Próximo da casa, é possível usar algum sistema de irrigação na horta para compensar alguma situação de desequilíbrio energético momentâneo ou por decisão de design. Aqui cabem algumas considerações importantes. Se as interações com a natureza forem desconsideradas no design, será preciso usar energia de fora do sistema. O uso de espécies pouco adaptadas ao clima e ao solo e de culturas fora de época, por exemplo, exigirá mais umidade e outras condições que o sistema não está preparado para fornecer de forma natural. É possível fazê-lo, mas temos que ter consciência das implicações energéticas.</p>
<p>Neste caso, há soluções simples como o uso de quebra-vento, que diminui em muito o uso de água por evitar a desidratação das plantas, e dicas preciosas como evitar a irrigação por aspersão em horários inadequados (sol intenso provoca a salinização do solo devido à rápida evaporação da água ). É preferível fazer irrigação por gotejamento porque a água vai diretamente para as raízes, onde ela é mais necessária, sem criar oportunidade para fungos e bactérias nas folhas e dispensando o uso de adubos diluídos, que são pouco eficientes.</p>
<p>Para completar o design da Zona I com chave de ouro, criando uma bela oportunidade de viver de maneira intensa a nossa relação com a água, a dica é construir uma piscina natural para desfrutar das delícias de um banho sem culpas e sem medos. Numa piscina natural não há tratamento químico. Convivemos com plantas aquáticas e pequenos animais como se estivéssemos em lagos naturais.</p>
<p><strong>Zonas II, III e IV</strong><br />
Elas não serão tratadas aqui individualmente porque os elementos a que farei referência podem estar localizados numa ou noutra, dependendo do design.</p>
<p>A declividade é um dos aspectos do terreno que mais influenciam na sistematização da água. Desde a necessidade de reflorestamento nas partes mais altas, tanto para provocar a infiltração da água no solo, evitando escorrimento e erosão, como para evitar a mudança, menos perceptível, dos níveis dos lençóis freáticos. Reflorestar também é sistematizar a água. Sem isso, as partes baixas viram charcos que afogam as raízes das plantas e as partes altas viram morros carecas sem nenhuma fertilidade.</p>
<p>Outra estratégia é construir canais e panelas de infiltração. Isso faz com que a água fique mais tempo no terreno, promovendo a fertilidade em alguns locais do terreno pela ação da gravidade e pelo acúmulo de matéria orgânica. O excedente pode ser armazenado em açudes e tanques, tanto para irrigação como para os animais.</p>
<p>A aqüicultura pode acontecer nos charcos naturais ou artificiais para culturas adaptadas, como o arroz e outras. As chinampas, no entanto, precisam ser mais estudadas. Quando sei de chinampas sendo construídas com tratores, fico pensando: como será que os astecas construíam as suas? Na Permacultura, se alguma técnica demanda muito trabalho ou altos custos, há algo de errado. Mas esse é um assunto para outra prosa.</p>
<p><strong>Zona V</strong><br />
Aqui não há nada para fazer, apenas deixá-la seguir seu rumo natural, observá-la e procurar compreendê-la. Mas podemos, se necessário, coletar algumas sementes e, em caso de ameaça, proteger as nascentes de água.</p>
<p>O mapa mental que está exposto aqui pode servir de ponto de partida para qualquer permacultor que esteja iniciando a sistematização das águas. Mas ele é, principalmente, uma base que deve expandir-se com a troca de idéias entre aqueles que estão interessados em aprender a fluir com as águas.</p>
<p>Este artigo foi publicado na Revista Permear, edição No.1.</p>
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		<title>A linguagem dos padrões</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Mar 2006 15:54:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Itamar Vieira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[design]]></category>
		<category><![CDATA[padrões naturais]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando se estuda permacultura, em cursos regulares ou como autodidata, logo se percebe que um dos assuntos mais difíceis de serem compreendidos e colocados em prática é o dos padrões naturais. Os estudantes de permacultura em PDC costumam dizer que &#8230; <a href="http://www.setelombas.com.br/2006/03/a-linguagem-dos-padroes/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="/imagens/padroes.jpg" alt="padroes" title="Padrão espiral" style="float:left; margin: 4px 8px 1px 1px;" />Quando se estuda permacultura, em cursos regulares ou como autodidata, logo se percebe que um dos assuntos mais difíceis de serem compreendidos e colocados em prática é o dos padrões naturais. Os estudantes de permacultura em PDC  costumam dizer que falta algo para facilitar a compreensão. A maioria deles relata que não vê como o conceito de padrões pode realmente servir ao design permacultural. E por achar fascinante esse tema, fiquei com essas questões em mente por um longo período até chegar ao que vou apresentar a seguir.</p>
<p>Este artigo pretende auxiliar aqueles que desejam ir além do uso dos clássicos <a href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&#038;v=kkGeOWYOFoA">padrões naturais</a> como meros modelos a serem imitados em sua forma ou comportamento. Compreender os <a href="http://vimeo.com/31158841">padrões naturais</a> nos tornará melhores observadores dos sistemas complexos da natureza e acho que essa competência é fundamental para um permacultor.</p>
<p>Os sistemas complexos não podem ser explicados por meio de fórmulas científicas. Os desafios do nosso tempo não são lineares como sugere o paradigma mecanicista. Ao ler o livro &#8220;Sabedoria Incomum&#8221; de Fritjof Capra, onde ele relata sua busca por um arcabouço de conhecimentos que permitisse a construção de uma nova visão de mundo, uma abordagem sistêmica, me deparei com algumas idéias que tem uma relação estreita com o tema dos padrões naturais na permacultura, que poderiam ser uma base para o seu entendimento e uso.<br />
<span id="more-9"></span></p>
<p><strong>I &#8211; O Padrão que Une</strong></p>
<p>Entre essas idéias estão as de Gregori Bateson, para quem a relação entre os fenômenos deveria ser a base para todo e qualquer enunciado científico. Segundo ele, a chave está em descobrir nos objetos de observação os princípios de organização que os colocam em relação com os demais; desvendar “o padrão que une” os fenômenos. </p>
<p>Para ilustrar seu pensamento original, Bateson costumava brincar com o seguinte silogismo de Sócrates: </p>
<blockquote><p>“O homem morre. Sócrates é homem. Portanto, Sócrates morre.”</p></blockquote>
<p>Dizia, bem humorado, que pela lógica tradicional do silogismo anterior, é possível afirmar que: </p>
<blockquote><p>&#8220;O homem morre. O capim morre. Portanto, o homem é capim.&#8221;</p></blockquote>
<p>Por um lado, Bateson nos mostra que a velha lógica não resolve todos os problemas e, por outro, sugere que precisamos identificar padrões, conhecer as metáforas, ou seja, as relações de semelhanças entre as coisas a fim de compreender a natureza dinâmica da realidade. Quando comparamos um homem a um capim, sistemas complexos de naturezas diferentes, estamos identificando um padrão que os une, a morte.</p>
<p>Um dos princípios filosóficos da permacultura <em>&#8220;observação atenta da natureza e transferência para o cotidiano&#8221;</em> requer uma nova lógica, uma nova maneira de pensar e observar. Seguem alguns exemplos onde pode-se observar essa nova lógica e conectar com o princípio do Batesson.</p>
<p>No norte do Brasil existe uma árvore conhecida como mulateiro, que tem a característica de repor a casca facilmente, quando lhe é tirada. Os índios e caboclos, de tanto observarem a árvore, relacionaram este comportamento ao processo de regeneração de pele de pessoas que sofrem queimaduras. Por causa do padrão observado, fizeram diversas experiências para descobrir uma medicina que acelerasse o processo de regeneração da pele. O extrato da casca do mulateiro mostrou-se um excelente curativo para queimaduras e para outros males cutâneos.</p>
<p>A lógica por trás deste exemplo é que a natureza nos dá as respostas necessárias sem que precisemos de noções científicas precisas. Quando o negócio é trocar de pele, posso “perguntar” ao mulateiro como se faz e ele me dirá. O vento nos avisará a hora de podar uma árvore; o macaco ensinará a plantar o cacau e a gralha azul, a araucária. A natureza fala a linguagem dos padrões.</p>
<p>Outro bom exemplo é o método de tratamento das águas cinzas conhecido como círculos de bananeiras. Seu uso teve início, ao que se sabe, pela observação de uma clareira na floresta, onde as copas dos coqueiros derrubados pelos fortes ventos formavam um círculo. Os filhotes de coqueiros nascidos a partir dali eram extremamente beneficiados pelo acúmulo de matéria orgânica e umidade no centro do círculo. O mesmo acontece às culturas do mamoeiro e da bananeira. Posteriormente esse mesmo padrão de cultura foi usado em um <a href="http://www.setelombas.com.br/2006/10/14/circulo-de-bananeiras/">círculo de bananeiras</a> para o tratamento das águas cinzas (de pias, chuveiros, etc.). Qual o novo padrão observado? A capacidade dessas cultura de folhas largas evaporar grandes quantidades de água.</p>
<p>Um padrão de comportamento pouco percebido e bem usado pelo agricultor e pesquisador Ernst Götsch em suas agroflorestas. Nas clareiras naturais ou criadas pelo homem, as novas plantas sofrem influências das árvores velhas mais próximas. Observou-se que toda árvore tem um raio de influência sobre suas vizinhas correspondente a sua altura. Se estão velhas, transmitirão essa informação às mais novas, que parecerão mais velhas como suas vizinhas. Estas pequenas árvores não vão se desenvolver como as suas irmãs mais distantes, mesmo sob condições idênticas de luz, água e solo.</p>
<p>O permacultor não precisa conhecer o motivo pelo qual as árvores se comportam desse jeito, no que se refere à necessidade de conhecimentos e explicações científicas detalhadas. Basta observar o padrão e aproveitá-lo da melhor maneira possível. Diante da pergunta: porque isso acontece? A resposta é simplesmente &#8220;não sei&#8221;. Devido a toda complexidade dos sistemas naturais, essa é a realidade, não sabemos mesmo. A competência necessária a um permacultor é a da observação de padrões.<br />
Diante do fato, o permacultor decidirá plantar as árvores novas mais distantes das velhas ou vai podar a árvore dominante para que ela rebrote e passe para as arvorezinhas uma nova informação, a de crescimento. O sistema florestal será beneficiado de um jeito ou de outro. </p>
<p>Para quem quer desvendar na prática a linguagem dos padrões, um bom exercício é a observação de plantas companheiras. Mas só devemos tomar cuidado para não interpretar como padrão de comportamento aquilo que observamos de maneira rápida e pouco representativa. O segredo é colocar-se diante de situações diferentes, para conseguir pontos de vista diferentes, a fim de saber se o padrão se repete ou se foi apenas uma infeliz interpretação. Para ser um padrão, há de ser repetitivo. O foco deve estar no fato verdadeiro e não nos conhecimentos e pensamentos que temos sobre algo parecido com o objeto de observação.</p>
<p><strong>II &#8211; A Auto-Organização</strong></p>
<p>A teoria dos “<em>sistemas auto-organizadores</em>” de Ilya Prigogine, prêmio Nobel em química de 1977, é outra grande contribuição para o entendimento dos padrões naturais. Ilya sustenta que os padrões de organização característicos dos sistemas vivos podem ser resumidos em termos de um único princípio dinâmico: o princípio da auto-organização. Um organismo vivo, mesmo interagindo e sofrendo influências do meio ambiente, organiza-se de acordo com determinações internas e não externas. A organização não vem de fora, mas de dentro. É a auto-organização.</p>
<p>Vou dar um exemplo. Quando ficamos expostos ao sol, nossos poros se abrem e, então, suamos. Não é o sol ou o calor que determina este comportamento diretamente. Nosso complexo sistema de auto-regulação da temperatura interna é que decide como realizar este equilíbrio.</p>
<p>Quando um sistema criado por nós, do qual fazem parte vegetais e pequenos animais, não se comporta exatamente como queríamos inicialmente, precisamos abrir espaço para que os sistemas complexos vivos dêem suas próprias respostas às nossas ações e à influência que sofrem do meio. Como aprendizes da natureza, nos cabe observar o que aconteceu e perceber as conexões de que ainda não havíamos nos dado conta.</p>
<p>Os sistemas vivos são complexos, são o resultado de diversas conexões e a maioria ocultas. As ações antrópicas, aquelas feitas pelo homem, são em geral simplistas por desconsiderarem as conexões que acontecem num mesmo fenômeno natural. Um exemplo triste é o do uso dos transgênicos. Soube de um caso em Portugal, uma plantação de girassóis geneticamente modificados que recebeu uma forte carga de herbicidas. Os venenos deixaram vivos os girassóis, mas mataram centenas de milhares de abelhas responsáveis pela polinização. Resolveram, então, pesquisar um girassol transgênico que também não precisasse da polinização. Esse é um caso triste de miopia e simplificação da realidade.</p>
<p><strong>Uma nova linguagem</strong></p>
<p>Tudo isso reforça a necessidade, para o estudo de sistemas complexos, de uma nova linguagem retratadora como uma fotografia ao invés de descritiva como um texto linear.</p>
<p>Os fatos verdadeiros podem ser observados e retratados pelos padrões observados, deixando àqueles que recebem a informação, a possibilidade de observar por si mesmos. Uma abordagem direta certamente dará à informação uma nova qualidade. O verdadeiro conhecimento, que vai na direção da realidade, acontece quando <em>informação</em> e <em>experiência</em> se econtram num mesmo <em>contexto</em>. Sozinha, a informação é vazia e estéril.</p>
<p>A linguagem dos padrões nos dá a base para descobrir o novo, o improvável, o impensado.</p>
<p>O uso da linguagem dos padrões também facilita a consolidação do design permacultural por meio da comparação entre necessidades e funções de cada elemento com a realidade circundante. Consolidar nesse caso significa não deixar nenhuma ponta do design sem conexão.</p>
<p>Nosso exercício diário no manejo de nossos sistemas permaculturais é estabelecer relações entre os elementos do design, vegetais, animais e estruturais (comportamento, forma, função, necessidade, &#8230;). Prestar atenção aos fatos mais corriqueiros do nosso dia a dia, fazendo sempre a mesma pergunta: qual é a relação aqui? E deixar a pergunta agir em nós pelo tempo que for necessário. Não precisamos nos apressar em ter uma resposta. Aliás, com o tempo percebemos que as respostas não são importantes.</p>
<p>Outras fontes e exemplos do uso racional e intuitivo dessa linguagem:</p>
<ul>
<li><a href="http://super.abril.com.br/blogs/planeta/menino-de-13-anos-revoluciona-metodo-de-captacao-de-energia-solar/">Menino de 13 anos revoluciona método de captação de energia solar</a></li>
<li><a href="https://www.google.com/#sclient=psy-ab&#038;hl=pt-BR&#038;source=hp&#038;q=biomim%C3%A9tica&#038;pbx=1&#038;oq=biomim%C3%A9tica&#038;aq=f&#038;aqi=g4&#038;aql=&#038;gs_sm=e&#038;gs_upl=189043l189383l1l189854l2l2l0l0l0l0l246l469l2-2l2l0&#038;bav=on.2,or.r_gc.r_pw.r_cp.,cf.osb&#038;fp=72da8ddbdffa8fac&#038;biw=1920&#038;bih=951">Biomimética</a></li>
<li><a href="http://www.patternlanguage.com/leveltwo/ca.htm">Patttern language by Christopher Alexander</a></li>
</ul>
<p><strong>Agradecimentos</strong><br />
Este texto foi inspirado nas idéias e pesquisas de Gregory Bateson, Fritjof Capra, Ilya Prigogine, Bill Mollison, David Holmgreen, Ernst Götsch, nas minhas conversas com meus amigos e mestres permacultores, de muitas pessoas que vieram antes de todos nós e principalmente, observando a mestra de todos nós, a natureza. Idéias não tem donos, usem e divulguem.</p>
<p>Obs.:  Este artigo também foi publicado na Revista Permacultura Brasil, edição #16.</p>
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