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	<title>setelombas &#187; mapa mental</title>
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	<description>Estação de Permacultura</description>
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		<title>Sistematização da água</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Mar 2006 20:54:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Itamar Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[água]]></category>
		<category><![CDATA[água cinza]]></category>
		<category><![CDATA[design]]></category>
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		<category><![CDATA[sistematização]]></category>

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		<description><![CDATA[O que caracteriza de forma marcante a ação de um permacultor? Ao fazer o design de um assentamento humano, seja ele uma vila, um sítio ou uma casa na cidade, quais seriam as prioridades? Começar por onde? Para responder a &#8230; <a href="http://www.setelombas.com.br/2006/03/sistematizacao-da-agua/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que caracteriza de forma marcante a ação de um permacultor? Ao fazer o design de um assentamento humano, seja ele uma vila, um sítio ou uma casa na cidade, quais seriam as prioridades? Começar por onde?<br />
Para responder a esta questão vou usar como inspiração uma frase do amigo <a href="http://www.permear.org.br/rede/permacultores/jorge/">Jorge Timmermann</a>:</p>
<blockquote><p>O principal trabalho de um permacultor é sistematizar a água e alimentar o solo.</p></blockquote>
<p>Porque será que ele fala assim? Bom, isso dá muito o que pensar. Não é mesmo? Então, para explorar bem o tema vamos separá-lo em duas partes. Neste artigo, falarei sobre a sistematização da água e em outro artigo falarei sobre a ação de alimentar o solo. Mas, já neste artigo, procuraremos identificar as conexões entre água e solo.</p>
<p><strong>A linguagem</strong><br />
Procurando usar uma linguagem mais retratadora do que descritiva, vamos utilizar um mapa mental que procura abranger as principais oportunidades de sistematização da água em todas as zonas de um assentamento humano.<br />
<a href="http://www.setelombas.com.br/imagens/sistematizacao.gif" title="Clique para ampliar"><img src="/imagens/sistematizacaop.gif" alt="Mapa mental" /></a><br />
<span id="more-10"></span><br />
<strong>Abordagem sistêmica</strong><br />
Para compreender a sistematização da água é necessário mais que esforço intelectual. É, antes de tudo, um exercício de profunda conexão com a natureza. É, principalmente, perceber o ambiente em que vivemos como um lugar por onde a água passa, sendo aproveitada da melhor forma possível para, em seguida, tomar seu curso natural, igual ou melhor do que chegou.</p>
<p><strong>Por que sistematizar a água?</strong><br />
Porque há menos de 3% de água doce no planeta e apenas 24% disso está “disponível” para o consumo e esta parcela passa por constantes perigos e ameaças. Porém, antes de tudo, sistematizamos a água porque temos uma ética &#8211; cuidar do planeta, cuidar das pessoas e partilhar os excedentes.<br />
Além do mais, o nosso design só será válido se estiver de acordo com o seguinte princípio: “funções importantes devem ser supridas por pelo menos três elementos”. Precisamos de pelo menos três fontes de água num assentamento humano para ser realmente sustentável. Afinal, podemos sobreviver algumas semanas sem comida, mas quanto tempo sobreviveríamos sem água?</p>
<p><strong>Por onde começar?</strong><br />
Na metodologia de design da permacultura um dos métodos para analizar e compor a paisagem é chamado de &#8220;Planejamento por Zonas&#8221;. Neste método a área a ser planejada é dividida em ZONAS, segundo o grau de consumo de energia humana. A zona que mais consome energia, trabalho, é a zona I, depois a zona II, e assim por diante, até a zona V.<br />
Imagine uma pedra caindo num lago. Que imagem lhe vem à mente? Uma série de anéis concêntricos que vão diminuindo de intensidade, certo? A Zona I, num assentamento humano, é exatamente o ponto de maior concentração e consumo de energia, trabalho humano. É nesta área onde se localiza a casa e o seu entorno. Alguns permacultores se referem a casa como sendo a Zona Zero, o centro da zona I. Outros, com os quais me identifico mais, se referem a Zona 0, como sendo o próprio ser humano que habita a Zona I. De nada adianta corrigir a paisagem, se o homem que habita nela, ainda pensar de maneira contrária ao rumo da natureza. Então precisamos começar pelas pessoas, pela ética, depois pela Zona I. Se não corrigirmos o lugar onde as pessoas moram, seus erros (efluentes, consumos exagerados, &#8230;)  atingirão as outras zonas, sem dúvida.</p>
<p><strong>Zona I</strong><br />
Aproveitar as águas da chuva, captadas por calhas no telhado ou em paredes altas (prédios), filtrando e armazenando em tanques ou outros meios à disposição, que sejam tão ou mais econômicos e eficientes quanto uma cisterna de ferrocimento.</p>
<p>Separando as águas usadas na casa em águas cinzas e pretas. As cinzas, usadas nas pias, chuveiros e máquinas de lavar, devem ser conduzidas por tubos até os <a href="http://www.setelombas.com.br/2006/10/circulo-de-bananeiras/">círculos de bananeiras</a> ou até outros sistemas de bio-remediação. E as águas pretas, que saem dos sanitários, podem ir para uma <a href="http://www.setelombas.com.br/2010/10/bacia-de-evapotranspiracao-bet/">bacia de evapotranspiração</a>. Melhor ainda é ter na Zona I um sanitário seco, onde utilizamos água somente para lavar as mãos. Usar a água para empurrar cocô é, no mínimo, uma visão distorcida de conforto. Os sanitários secos, também chamados de <a href="http://www.setelombas.com.br/2006/04/sanitario-compostavel/">sanitários compostáveis</a>, além de não poluírem as águas, ainda aproveitam ricos materiais, como urina, fezes e papel higiênico, gerando composto orgânico para alimentar as minhocas, que geram o húmus, que alimenta sementes e plantas. Podem ser do tipo compactos que cabem no WC tradicional ou também as “casinhas” com duas câmaras que ficam na área externa.</p>
<p>Próximo da casa, é possível usar algum sistema de irrigação na horta para compensar alguma situação de desequilíbrio energético momentâneo ou por decisão de design. Aqui cabem algumas considerações importantes. Se as interações com a natureza forem desconsideradas no design, será preciso usar energia de fora do sistema. O uso de espécies pouco adaptadas ao clima e ao solo e de culturas fora de época, por exemplo, exigirá mais umidade e outras condições que o sistema não está preparado para fornecer de forma natural. É possível fazê-lo, mas temos que ter consciência das implicações energéticas.</p>
<p>Neste caso, há soluções simples como o uso de quebra-vento, que diminui em muito o uso de água por evitar a desidratação das plantas, e dicas preciosas como evitar a irrigação por aspersão em horários inadequados (sol intenso provoca a salinização do solo devido à rápida evaporação da água ). É preferível fazer irrigação por gotejamento porque a água vai diretamente para as raízes, onde ela é mais necessária, sem criar oportunidade para fungos e bactérias nas folhas e dispensando o uso de adubos diluídos, que são pouco eficientes.</p>
<p>Para completar o design da Zona I com chave de ouro, criando uma bela oportunidade de viver de maneira intensa a nossa relação com a água, a dica é construir uma piscina natural para desfrutar das delícias de um banho sem culpas e sem medos. Numa piscina natural não há tratamento químico. Convivemos com plantas aquáticas e pequenos animais como se estivéssemos em lagos naturais.</p>
<p><strong>Zonas II, III e IV</strong><br />
Elas não serão tratadas aqui individualmente porque os elementos a que farei referência podem estar localizados numa ou noutra, dependendo do design.</p>
<p>A declividade é um dos aspectos do terreno que mais influenciam na sistematização da água. Desde a necessidade de reflorestamento nas partes mais altas, tanto para provocar a infiltração da água no solo, evitando escorrimento e erosão, como para evitar a mudança, menos perceptível, dos níveis dos lençóis freáticos. Reflorestar também é sistematizar a água. Sem isso, as partes baixas viram charcos que afogam as raízes das plantas e as partes altas viram morros carecas sem nenhuma fertilidade.</p>
<p>Outra estratégia é construir canais e panelas de infiltração. Isso faz com que a água fique mais tempo no terreno, promovendo a fertilidade em alguns locais do terreno pela ação da gravidade e pelo acúmulo de matéria orgânica. O excedente pode ser armazenado em açudes e tanques, tanto para irrigação como para os animais.</p>
<p>A aqüicultura pode acontecer nos charcos naturais ou artificiais para culturas adaptadas, como o arroz e outras. As chinampas, no entanto, precisam ser mais estudadas. Quando sei de chinampas sendo construídas com tratores, fico pensando: como será que os astecas construíam as suas? Na Permacultura, se alguma técnica demanda muito trabalho ou altos custos, há algo de errado. Mas esse é um assunto para outra prosa.</p>
<p><strong>Zona V</strong><br />
Aqui não há nada para fazer, apenas deixá-la seguir seu rumo natural, observá-la e procurar compreendê-la. Mas podemos, se necessário, coletar algumas sementes e, em caso de ameaça, proteger as nascentes de água.</p>
<p>O mapa mental que está exposto aqui pode servir de ponto de partida para qualquer permacultor que esteja iniciando a sistematização das águas. Mas ele é, principalmente, uma base que deve expandir-se com a troca de idéias entre aqueles que estão interessados em aprender a fluir com as águas.</p>
<p>Este artigo foi publicado na Revista Permear, edição No.1.</p>
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