<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>setelombas &#187; padrões naturais</title>
	<atom:link href="http://www.setelombas.com.br/tag/padroes-naturais/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.setelombas.com.br</link>
	<description>Estação de Permacultura</description>
	<lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 21:24:04 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>Círculo de bananeiras</title>
		<link>http://www.setelombas.com.br/2006/10/circulo-de-bananeiras/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=circulo-de-bananeiras</link>
		<comments>http://www.setelombas.com.br/2006/10/circulo-de-bananeiras/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 14 Oct 2006 21:02:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Itamar Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Galeria de fotos]]></category>
		<category><![CDATA[água cinza]]></category>
		<category><![CDATA[biorremediação]]></category>
		<category><![CDATA[círculo de bananeiras]]></category>
		<category><![CDATA[padrões naturais]]></category>
		<category><![CDATA[tratamento de água]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.setelombas.com.br/2006/10/14/circulo-de-bananeiras/</guid>
		<description><![CDATA[O círculo de bananeira é usado para tratar as águas usadas da casa (pias, tanques e chuveiros), as chamadas águas cinzas. Ele também beneficia a produção de bananas em escala humana. Essa técnica originou-se da observação dos efeitos dos fortes &#8230; <a href="http://www.setelombas.com.br/2006/10/circulo-de-bananeiras/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="/imagens/circulo-de-bananeiras1.jpg" alt="circulo" title="Esquema círculo de bananeiras" style="float:left; margin: 4px 16px 0 1px;" />O círculo de bananeira é usado para tratar as águas usadas da casa (pias, tanques e chuveiros), as chamadas águas cinzas. Ele também beneficia a produção de bananas em escala humana.</p>
<p>Essa técnica originou-se da observação dos efeitos dos fortes ventos sobre a cultura dos cocos. Numa clareira os coqueiros caídos davam origem a círculos de coqueiros que nasciam, se desenvolviam e produziam melhor do que quando sós. O <a href="http://www.setelombas.com.br/2006/03/19/a-linguagem-dos-padroes/">padrão natural</a> observado foi que no centro do círculo se depositavam folhas, ramos, frutos, etc, que retinham a umidade e concentravam nutrientes, beneficiando a cultura dos coqueiros. Dessa observação, passou-se em seguida às experiências com outras culturas, como a da banana.<br />
<span id="more-38"></span><br />
No caso das bananeiras percebeu-se que elas, como outras plantas de folhas largas como o mamoeiro, evaporavam grandes quantidades de água e estabeleceu-se assim uma relação com as águas cinzas das residências. Essa ligação é feita entre a necessidade de se tratar a águas que saem das pias e chuveiros das residências com a grande capacidade de evaporar (tratar) dos círculos de bananeiras. E isso é uma das bases do design na permacultura, estabelecer relações positivas, sinérgicas entre os elementos de um sistema vivo.</p>
<p><strong>Como construir?</strong><br />
<img src="/imagens/circulo-de-bananeiras2.jpg" alt="circulo" title="Esquema de construção" style="float:left; margin: 4px 16px 0 1px;" />O trabalho começa com a construção de um buraco, em forma de concha, com 1 m cúbico de volume. Lembre-se que a terra retirada do buraco é colocada na borda aumentando a altura do buraco. </p>
<p>Os sistemas vivos não seguem projetos no papel. Então mais importante do que seguir as dimensões apresentadas aqui, é procurar observar no local, o solo, a insolação, incidência de geadas, etc. para dedinir melhor como será o círculo de bananeiras de sua residência.</p>
<p>Se o solo for muito arenoso deve-se adicionar uma camada de argila para retardar a infiltração e possibilitar que a microvida faça seu trabalho de quebrar as moléculas dos nutrientes e outros compostos que vem com a água.</p>
<p><img src="/imagens/circulo-de-bananeiras3.jpg" alt="circulo" title="Esquema de construção" style="float:left; margin: 4px 16px 0 1px;" />O buraco, depois de pronto, deve ser enchido com madeira e palha para criar um ambiente adequado para o recebimento da água cinza e para beneficiar a micro vida. Isso é feito primeiro colocando pequenos troncos de madeira grossos no fundo. Em seguida galhos médios e finos de árvores e por último a palha (aparas de capim, folhas, etc.) formando um monte com quase 1 metro de altura acima da borda do buraco. A madeira deve ser colocada de forma desarrumada, para que que se crie espaços para a água. A palha em cima serve para impedir a entrada da luz e da água da chuva, que escorrerá para os lados não inundando o buraco e não se contaminando com a água cinza.</p>
<p>A água cinza deve ser conduzida por um tubo até o buraco e com um joelho na ponta para evitar o entupimento. Não usar valas abertas para a condução da água, assim mosquitos e outros animais indesejados não terão como se desenvolver. E os microorganismos da compostagem terão um ambiente perfeito para fazer o seu trabalho.</p>
<p><strong>Plantio</strong><br />
As bananeiras podem ser plantadas de diversas maneiras. Mas eu prefiro usar o rizoma inteiro ou uma cunha (parte de um rizoma) com uma gema vizível. Após fazer as covas (no mínimo 30x30x30 cm) deve-se enche-las com bastante matéria orgânica (palhas, folhas, etc.) misturada com terra. Antes de preencher totalmente o buraco, na hora de colocar o rizoma, posicione para que a gema fique para o lado de fora do círculo e inclinado de forma que a bananeira nasça caída para fora. Essa inclinação da bananeira é mais fácil de ser conseguida quando plantada a partir de rebentos. Isso facilitará a colheita e o manejo das bananeiras. O rizoma deve ficar há uns 10 cm, em média, abaixo do nível do solo.</p>
<p>Ao redor do círculo, também é indicado o plantio de mais plantas de folha larga como a taioba, o mamoeiro e entre elas batata doce ou outra plantas rasteiras para cobrir todo o espaço. Em pouco tempo o círculo irá se transformar em um nicho de fertilidade que vai se espalhar pelo entorno.</p>
<p><strong>Cuidados</strong><br />
A água cinza NÃO deve conter água preta dos sanitários. Estas deveriam ir para outros sistemas apropriados para o seu tratamento.<br />
E nas pias e chuveiros deve-se evitar o uso de detergentes químicos e outras substâncias tóxicas como cloro, etc., pois estas substâncias matam os microorganismos e impedem a compostagem dos nutrientes contidos na água cinza com a madeira.<br />
Mais informações sobre a separação das águas servidas podem ser encontradas em <a href="http://www.setelombas.com.br/2006/03/22/sistematizacao-da-agua/">&#8220;sistematização da água&#8221;</a>.</p>
<p><strong>Dimensionamento</strong><br />
Esse tamanho padrão de 1 m3 para CDB é suficiente para uma família de 3 a 5 pessoas, mas se o volume de água cinza produzido na casa for maior do que a capacidade de recebimento do círculo, a solução é construir um segundo círculo interligado ao primeiro. Não se deve fazer bacias maiores que o padrão. A água cinza entra pela parte mais alta do primeiro círculo e sai no nível máximo por meio de outro tubo e segue para o segundo círculo. Conforme a situação pode-se ter uma bateria de círculos inteligados. Isso é facilitado se o terreno for inclinado.</p>
<p><strong>Manejo</strong><br />
Sempre colocar aparas de poda (grama, capim, galhos) no centro para alimentar o círculo e evitar que o buraco seja inundado com a água da chuva.<br />
Após colher o cacho de bananas, deve-se cortar a bananeira bem na base e em pedaços de 1 metro, rachar ao meio (longitudinal) e também colocar no centro do círculo. A cada 3 anos (ou mais) todo o material depositado no buraco pode ser retirado (quando os troncos se dissolverem) e usar como adubo orgânico na horta. E repor novo material como no início da implantação do círculo.</p>
<p>Aqui na região sul do Brasil há diversos círculos de bananeiras funcionando perfeitamente há mais de 3 anos. Assim que possível publicarei mais fotos dessas experiências.</p>
<p>Alguns círculos de bananeiras:<br />

<a href='http://www.setelombas.com.br/2006/10/circulo-de-bananeiras/circulo-bananeiras5/' title='circulo-bananeiras5'><img width="100" height="100" src="http://www.setelombas.com.br/imagens/circulo-bananeiras5-100x100.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="circulo-bananeiras5" title="circulo-bananeiras5" /></a>
<a href='http://www.setelombas.com.br/2006/10/circulo-de-bananeiras/circulo-bananeiras1/' title='circulo-bananeiras1'><img width="100" height="100" src="http://www.setelombas.com.br/imagens/circulo-bananeiras1-100x100.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="circulo-bananeiras1" title="circulo-bananeiras1" /></a>
<a href='http://www.setelombas.com.br/2006/10/circulo-de-bananeiras/circulo-bananeiras2/' title='circulo-bananeiras2'><img width="100" height="100" src="http://www.setelombas.com.br/imagens/circulo-bananeiras2-100x100.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="circulo-bananeiras2" title="circulo-bananeiras2" /></a>
<a href='http://www.setelombas.com.br/2006/10/circulo-de-bananeiras/circulo-bananeiras3/' title='circulo-bananeiras3'><img width="100" height="100" src="http://www.setelombas.com.br/imagens/circulo-bananeiras3-100x100.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="circulo-bananeiras3" title="circulo-bananeiras3" /></a>
<a href='http://www.setelombas.com.br/2006/10/circulo-de-bananeiras/circulo-bananeiras4/' title='circulo-bananeiras4'><img width="100" height="100" src="http://www.setelombas.com.br/imagens/circulo-bananeiras4-100x100.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="circulo-bananeiras4" title="circulo-bananeiras4" /></a>
<a href='http://www.setelombas.com.br/2006/10/circulo-de-bananeiras/circulo-curupira1/' title='circulo-curupira1'><img width="100" height="100" src="http://www.setelombas.com.br/imagens/circulo-curupira1-100x100.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Círculo do sítio Curupira" title="circulo-curupira1" /></a>
<a href='http://www.setelombas.com.br/2006/10/circulo-de-bananeiras/circulo-curupira2/' title='circulo-curupira2'><img width="100" height="100" src="http://www.setelombas.com.br/imagens/circulo-curupira2-100x100.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="circulo-curupira2" title="circulo-curupira2" /></a>
</p>
<p>Outras referências:</p>
<ul>
<li>Projeto Kirabati</li>
<li><a href="http://www.permear.org.br/fotos/circulo-de-bananeiras/">Sítio Raízes</a></li>
</ul>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.setelombas.com.br/2006/10/circulo-de-bananeiras/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>32</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A linguagem dos padrões</title>
		<link>http://www.setelombas.com.br/2006/03/a-linguagem-dos-padroes/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=a-linguagem-dos-padroes</link>
		<comments>http://www.setelombas.com.br/2006/03/a-linguagem-dos-padroes/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 19 Mar 2006 15:54:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Itamar Vieira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[agrofloresta]]></category>
		<category><![CDATA[design]]></category>
		<category><![CDATA[padrões naturais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.setelombas.com.br/blog/2006/02/15/a-linguagem-dos-padroes/</guid>
		<description><![CDATA[Quando se estuda permacultura, em cursos regulares ou como autodidata, logo se percebe que um dos assuntos mais difíceis de serem compreendidos e colocados em prática é o dos padrões naturais. Os estudantes de permacultura em PDC costumam dizer que &#8230; <a href="http://www.setelombas.com.br/2006/03/a-linguagem-dos-padroes/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="/imagens/padroes.jpg" alt="padroes" title="Padrão espiral" style="float:left; margin: 4px 8px 1px 1px;" />Quando se estuda permacultura, em cursos regulares ou como autodidata, logo se percebe que um dos assuntos mais difíceis de serem compreendidos e colocados em prática é o dos padrões naturais. Os estudantes de permacultura em PDC  costumam dizer que falta algo para facilitar a compreensão. A maioria deles relata que não vê como o conceito de padrões pode realmente servir ao design permacultural. E por achar fascinante esse tema, fiquei com essas questões em mente por um longo período até chegar ao que vou apresentar a seguir.</p>
<p>Este artigo pretende auxiliar aqueles que desejam ir além do uso dos clássicos <a href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&#038;v=kkGeOWYOFoA">padrões naturais</a> como meros modelos a serem imitados em sua forma ou comportamento. Compreender os <a href="http://vimeo.com/31158841">padrões naturais</a> nos tornará melhores observadores dos sistemas complexos da natureza e acho que essa competência é fundamental para um permacultor.</p>
<p>Os sistemas complexos não podem ser explicados por meio de fórmulas científicas. Os desafios do nosso tempo não são lineares como sugere o paradigma mecanicista. Ao ler o livro &#8220;Sabedoria Incomum&#8221; de Fritjof Capra, onde ele relata sua busca por um arcabouço de conhecimentos que permitisse a construção de uma nova visão de mundo, uma abordagem sistêmica, me deparei com algumas idéias que tem uma relação estreita com o tema dos padrões naturais na permacultura, que poderiam ser uma base para o seu entendimento e uso.<br />
<span id="more-9"></span></p>
<p><strong>I &#8211; O Padrão que Une</strong></p>
<p>Entre essas idéias estão as de Gregori Bateson, para quem a relação entre os fenômenos deveria ser a base para todo e qualquer enunciado científico. Segundo ele, a chave está em descobrir nos objetos de observação os princípios de organização que os colocam em relação com os demais; desvendar “o padrão que une” os fenômenos. </p>
<p>Para ilustrar seu pensamento original, Bateson costumava brincar com o seguinte silogismo de Sócrates: </p>
<blockquote><p>“O homem morre. Sócrates é homem. Portanto, Sócrates morre.”</p></blockquote>
<p>Dizia, bem humorado, que pela lógica tradicional do silogismo anterior, é possível afirmar que: </p>
<blockquote><p>&#8220;O homem morre. O capim morre. Portanto, o homem é capim.&#8221;</p></blockquote>
<p>Por um lado, Bateson nos mostra que a velha lógica não resolve todos os problemas e, por outro, sugere que precisamos identificar padrões, conhecer as metáforas, ou seja, as relações de semelhanças entre as coisas a fim de compreender a natureza dinâmica da realidade. Quando comparamos um homem a um capim, sistemas complexos de naturezas diferentes, estamos identificando um padrão que os une, a morte.</p>
<p>Um dos princípios filosóficos da permacultura <em>&#8220;observação atenta da natureza e transferência para o cotidiano&#8221;</em> requer uma nova lógica, uma nova maneira de pensar e observar. Seguem alguns exemplos onde pode-se observar essa nova lógica e conectar com o princípio do Batesson.</p>
<p>No norte do Brasil existe uma árvore conhecida como mulateiro, que tem a característica de repor a casca facilmente, quando lhe é tirada. Os índios e caboclos, de tanto observarem a árvore, relacionaram este comportamento ao processo de regeneração de pele de pessoas que sofrem queimaduras. Por causa do padrão observado, fizeram diversas experiências para descobrir uma medicina que acelerasse o processo de regeneração da pele. O extrato da casca do mulateiro mostrou-se um excelente curativo para queimaduras e para outros males cutâneos.</p>
<p>A lógica por trás deste exemplo é que a natureza nos dá as respostas necessárias sem que precisemos de noções científicas precisas. Quando o negócio é trocar de pele, posso “perguntar” ao mulateiro como se faz e ele me dirá. O vento nos avisará a hora de podar uma árvore; o macaco ensinará a plantar o cacau e a gralha azul, a araucária. A natureza fala a linguagem dos padrões.</p>
<p>Outro bom exemplo é o método de tratamento das águas cinzas conhecido como círculos de bananeiras. Seu uso teve início, ao que se sabe, pela observação de uma clareira na floresta, onde as copas dos coqueiros derrubados pelos fortes ventos formavam um círculo. Os filhotes de coqueiros nascidos a partir dali eram extremamente beneficiados pelo acúmulo de matéria orgânica e umidade no centro do círculo. O mesmo acontece às culturas do mamoeiro e da bananeira. Posteriormente esse mesmo padrão de cultura foi usado em um <a href="http://www.setelombas.com.br/2006/10/14/circulo-de-bananeiras/">círculo de bananeiras</a> para o tratamento das águas cinzas (de pias, chuveiros, etc.). Qual o novo padrão observado? A capacidade dessas cultura de folhas largas evaporar grandes quantidades de água.</p>
<p>Um padrão de comportamento pouco percebido e bem usado pelo agricultor e pesquisador Ernst Götsch em suas agroflorestas. Nas clareiras naturais ou criadas pelo homem, as novas plantas sofrem influências das árvores velhas mais próximas. Observou-se que toda árvore tem um raio de influência sobre suas vizinhas correspondente a sua altura. Se estão velhas, transmitirão essa informação às mais novas, que parecerão mais velhas como suas vizinhas. Estas pequenas árvores não vão se desenvolver como as suas irmãs mais distantes, mesmo sob condições idênticas de luz, água e solo.</p>
<p>O permacultor não precisa conhecer o motivo pelo qual as árvores se comportam desse jeito, no que se refere à necessidade de conhecimentos e explicações científicas detalhadas. Basta observar o padrão e aproveitá-lo da melhor maneira possível. Diante da pergunta: porque isso acontece? A resposta é simplesmente &#8220;não sei&#8221;. Devido a toda complexidade dos sistemas naturais, essa é a realidade, não sabemos mesmo. A competência necessária a um permacultor é a da observação de padrões.<br />
Diante do fato, o permacultor decidirá plantar as árvores novas mais distantes das velhas ou vai podar a árvore dominante para que ela rebrote e passe para as arvorezinhas uma nova informação, a de crescimento. O sistema florestal será beneficiado de um jeito ou de outro. </p>
<p>Para quem quer desvendar na prática a linguagem dos padrões, um bom exercício é a observação de plantas companheiras. Mas só devemos tomar cuidado para não interpretar como padrão de comportamento aquilo que observamos de maneira rápida e pouco representativa. O segredo é colocar-se diante de situações diferentes, para conseguir pontos de vista diferentes, a fim de saber se o padrão se repete ou se foi apenas uma infeliz interpretação. Para ser um padrão, há de ser repetitivo. O foco deve estar no fato verdadeiro e não nos conhecimentos e pensamentos que temos sobre algo parecido com o objeto de observação.</p>
<p><strong>II &#8211; A Auto-Organização</strong></p>
<p>A teoria dos “<em>sistemas auto-organizadores</em>” de Ilya Prigogine, prêmio Nobel em química de 1977, é outra grande contribuição para o entendimento dos padrões naturais. Ilya sustenta que os padrões de organização característicos dos sistemas vivos podem ser resumidos em termos de um único princípio dinâmico: o princípio da auto-organização. Um organismo vivo, mesmo interagindo e sofrendo influências do meio ambiente, organiza-se de acordo com determinações internas e não externas. A organização não vem de fora, mas de dentro. É a auto-organização.</p>
<p>Vou dar um exemplo. Quando ficamos expostos ao sol, nossos poros se abrem e, então, suamos. Não é o sol ou o calor que determina este comportamento diretamente. Nosso complexo sistema de auto-regulação da temperatura interna é que decide como realizar este equilíbrio.</p>
<p>Quando um sistema criado por nós, do qual fazem parte vegetais e pequenos animais, não se comporta exatamente como queríamos inicialmente, precisamos abrir espaço para que os sistemas complexos vivos dêem suas próprias respostas às nossas ações e à influência que sofrem do meio. Como aprendizes da natureza, nos cabe observar o que aconteceu e perceber as conexões de que ainda não havíamos nos dado conta.</p>
<p>Os sistemas vivos são complexos, são o resultado de diversas conexões e a maioria ocultas. As ações antrópicas, aquelas feitas pelo homem, são em geral simplistas por desconsiderarem as conexões que acontecem num mesmo fenômeno natural. Um exemplo triste é o do uso dos transgênicos. Soube de um caso em Portugal, uma plantação de girassóis geneticamente modificados que recebeu uma forte carga de herbicidas. Os venenos deixaram vivos os girassóis, mas mataram centenas de milhares de abelhas responsáveis pela polinização. Resolveram, então, pesquisar um girassol transgênico que também não precisasse da polinização. Esse é um caso triste de miopia e simplificação da realidade.</p>
<p><strong>Uma nova linguagem</strong></p>
<p>Tudo isso reforça a necessidade, para o estudo de sistemas complexos, de uma nova linguagem retratadora como uma fotografia ao invés de descritiva como um texto linear.</p>
<p>Os fatos verdadeiros podem ser observados e retratados pelos padrões observados, deixando àqueles que recebem a informação, a possibilidade de observar por si mesmos. Uma abordagem direta certamente dará à informação uma nova qualidade. O verdadeiro conhecimento, que vai na direção da realidade, acontece quando <em>informação</em> e <em>experiência</em> se econtram num mesmo <em>contexto</em>. Sozinha, a informação é vazia e estéril.</p>
<p>A linguagem dos padrões nos dá a base para descobrir o novo, o improvável, o impensado.</p>
<p>O uso da linguagem dos padrões também facilita a consolidação do design permacultural por meio da comparação entre necessidades e funções de cada elemento com a realidade circundante. Consolidar nesse caso significa não deixar nenhuma ponta do design sem conexão.</p>
<p>Nosso exercício diário no manejo de nossos sistemas permaculturais é estabelecer relações entre os elementos do design, vegetais, animais e estruturais (comportamento, forma, função, necessidade, &#8230;). Prestar atenção aos fatos mais corriqueiros do nosso dia a dia, fazendo sempre a mesma pergunta: qual é a relação aqui? E deixar a pergunta agir em nós pelo tempo que for necessário. Não precisamos nos apressar em ter uma resposta. Aliás, com o tempo percebemos que as respostas não são importantes.</p>
<p>Outras fontes e exemplos do uso racional e intuitivo dessa linguagem:</p>
<ul>
<li><a href="http://super.abril.com.br/blogs/planeta/menino-de-13-anos-revoluciona-metodo-de-captacao-de-energia-solar/">Menino de 13 anos revoluciona método de captação de energia solar</a></li>
<li><a href="https://www.google.com/#sclient=psy-ab&#038;hl=pt-BR&#038;source=hp&#038;q=biomim%C3%A9tica&#038;pbx=1&#038;oq=biomim%C3%A9tica&#038;aq=f&#038;aqi=g4&#038;aql=&#038;gs_sm=e&#038;gs_upl=189043l189383l1l189854l2l2l0l0l0l0l246l469l2-2l2l0&#038;bav=on.2,or.r_gc.r_pw.r_cp.,cf.osb&#038;fp=72da8ddbdffa8fac&#038;biw=1920&#038;bih=951">Biomimética</a></li>
<li><a href="http://www.patternlanguage.com/leveltwo/ca.htm">Patttern language by Christopher Alexander</a></li>
</ul>
<p><strong>Agradecimentos</strong><br />
Este texto foi inspirado nas idéias e pesquisas de Gregory Bateson, Fritjof Capra, Ilya Prigogine, Bill Mollison, David Holmgreen, Ernst Götsch, nas minhas conversas com meus amigos e mestres permacultores, de muitas pessoas que vieram antes de todos nós e principalmente, observando a mestra de todos nós, a natureza. Idéias não tem donos, usem e divulguem.</p>
<p>Obs.:  Este artigo também foi publicado na Revista Permacultura Brasil, edição #16.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.setelombas.com.br/2006/03/a-linguagem-dos-padroes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>15</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

